quinta-feira
sexta-feira
quarta-feira
terça-feira
segunda-feira
terça-feira
Pensei que talvez pudéssemos ser feliz. E, quem sabe, até, será? fe-li-zes. Me deu, meu deus, vontade de ir embora, mas uma vontade infinita de ficar pra ver quanto quando e porquê. Porque minha VONTADE é contar todos os teus pêlos. Sabê-los. Vertê-los até o fim de tudo. São um milhão, novecentos e quarenta e sete mil, quatrocentos e trinta e um cabelos. E trinta, digo, porque acabo de subtrair um debaixo do teu ventre. Penso: seremos felizes, apesar de toda perenidade que há por trás de tudo isso? É o que queremos? Queremo-nos? Seremo-nos? Serenos? Tranqüilos? Eternos. Passageiros, nós. Quero ser a casca do que há em ti. Até apodrecermos. E isso é tão bonito.
quarta-feira
Me vejo na vila
Sereno – girino
Na vala, me lavo
Menino
Me valho na tarde
Caminho cidade
De casas de palha e de lata
Passa o negrinho,
Passa a bicha se fazendo
de mulata
Borboleta rebolada,
Dar o cu pra gurizada,
Ardida urtiga,
Acabada e amarela
O fim da vila: a favela
(este poema integra um futuro livro que um dia será editado e chamar-se-á Poema Bicha, numa alusão ao Poema Sujo de Gullar)
Sereno – girino
Na vala, me lavo
Menino
Me valho na tarde
Caminho cidade
De casas de palha e de lata
Passa o negrinho,
Passa a bicha se fazendo
de mulata
Borboleta rebolada,
Dar o cu pra gurizada,
Ardida urtiga,
Acabada e amarela
O fim da vila: a favela
(este poema integra um futuro livro que um dia será editado e chamar-se-á Poema Bicha, numa alusão ao Poema Sujo de Gullar)
terça-feira
Vá nessa, Vanessa!
Das duas, uma. Ou eu não a vejo quase sempre ou eu a leio sempre que posso. Eu tenho um amigo que tem um blog. Logo, eu tenho um amigo. Assim é como eu vejo, entendo a Nessa. Talvez mais profundamente do que se nos víssemos todos os dias, porque ainda somos feitos de palavras escritas. As ditas são para psicanalistas. Eu tenho muito o que dizer, mas não tenho grana para pagar. A Nessa, equilibrada que só, talvez tenha com o que pagar, mas é... equilibrada! Por isso não tenho vergonha de dizer que sempre a invejei mesmo sabendo que nunca seria como ela: somos feitos de matérias-primas distintas. Nem chega a ser inveja, é mais uma admiração de algo que sempre me será (ser-me-á) impossível: alcançá-la e alcançar o que ela sente, o que não significa só senti-la. Enquanto isso, cintilo por aí. Pelas vias de concreto e a via de luz. Por umas, Lima e Silva, Leão XIII, por outra: http://diarionaooficial.blogspot.com/. Nessa(é) Nessa(ê) eu confio. Mas é tão difícil...
quinta-feira
quarta-feira
De repente você se vê quase nos trinta sem casa sem carro e sem ninguém. Sei, tem os amigos, mas amigos nunca se tem, só se empresta. Quer dizer, todas as possibilidades estão aí, mas não há aderência para que tudo seja posse. E o pior é que se fosse, o carro precisaria ser pago, a casa mantida e o amor renovado a cada dia: todas as manhãs, livrar-se do mau hálito. Todo bem que eu tenho é uma máquina fotográfica barata que registra meu fracasso. E a explicação me martela, vem e não vem, e lembro-me do Luciano me avisando que não abandonasse planos concretos por amor, que não é sólido. E fiz bem e mal por amor. Mais mal do que bem. Por quê? De uma violência para com os seus, esse menino, alguém comentaria. Quem eu deveria cuidar não cuido, com quem me desdenha eu faço festa. Onde ele está? Ninguém sabe. Ninguém sabe.
sábado
Meu braço claro te
envolve e protege, agora.
Minha boca toca
tuas costas e cheira
teu cheiro.
Meu pinto vira pau
e meu pau canta.
Todo mal desaparece.
Sempre que estou contigo
a gente reza uma prece
sem dizer nada.
Se todos no mundo fossem
café com leite como eu e tu
e estivessem misturadinhos
assim como a gente,
não haveria mais fome
nem um papa maior
que qualquer homem.
Só love e ninguém triste.
Feliz é ter alguém.
A glória é ter a outra Parte.
Meu nome começa com o teu:
Antes de ser Israel
eu sou Valter.
envolve e protege, agora.
Minha boca toca
tuas costas e cheira
teu cheiro.
Meu pinto vira pau
e meu pau canta.
Todo mal desaparece.
Sempre que estou contigo
a gente reza uma prece
sem dizer nada.
Se todos no mundo fossem
café com leite como eu e tu
e estivessem misturadinhos
assim como a gente,
não haveria mais fome
nem um papa maior
que qualquer homem.
Só love e ninguém triste.
Feliz é ter alguém.
A glória é ter a outra Parte.
Meu nome começa com o teu:
Antes de ser Israel
eu sou Valter.
sexta-feira
quinta-feira
segunda-feira
sábado
quinta-feira
Obrigado pela preferência
A gente é singular com dois agentes: eu e tu.
Brilho quando te referes a nós como um.
A gente são duas palavras e uma unidade.
Nós, uma sílaba só, que expressa apenas que
somos dois ou mais mais ou menos juntos.
Espero que te decidas pela gente sempre.
Porque nós é qualquer uns.
Brilho quando te referes a nós como um.
A gente são duas palavras e uma unidade.
Nós, uma sílaba só, que expressa apenas que
somos dois ou mais mais ou menos juntos.
Espero que te decidas pela gente sempre.
Porque nós é qualquer uns.
quarta-feira
Quero ser Lya Luft
Apesar de tudo nossa história de amor é bela. Toda história de amor é uma boa história. Mas toda história é, na origem, de amor? E dizem ainda que o amor é invenção. Que invento faria o homem romper-se em lágrimas infinitas? Que engenho humano teria o poder de apertar os músculos do coração com tanta intimidade? O amor amolece e ilumina. O amor é a nossa maior parcela de natureza porque faz reconhecermo-nos efêmeros diante da vida e alcançarmos a compreensão de que tudo passa e que voltaremos ao chão como substância. O amor é ecológico e por isso urgente. Compreende os ciclos do universo e se comunica com as marés. Quando se tem, é sol que aquece. Quando está ausente, prata que resfria e, apesar das nuvens, reaparece ora mais nítida ora sombra de si mesma. Para lembrar a brevidade, a carência de que tudo se cuide e se suporte. Que o melhor é o beijo quente, o cafuné-carícia, um cheiro no cangote e isso basta. É a abelha que espalha o pólen que vira flor, e a flor se consome adubo por onde passa o inseto que lateja o homem que atravessa fronteiras e destila amor e tonterias, como esta, que só quem ama entende.
quinta-feira
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